No Dia dos Avós, geração 60+ impulsiona economia e transforma o mercado no Rio de Janeiro


Foto: Divulgação

Os avós de hoje já não correspondem ao estereótipo de algumas décadas atrás. Viajam, estudam, frequentam restaurantes, fazem atividade física, investem em saúde preventiva e utilizam tecnologia para consumir produtos e serviços. No Dia dos Avós, celebrado em 26 de julho, especialistas afirmam que o público acima dos 60 anos deixou de ser visto apenas como consumidor da área da saúde e passou a ocupar posição estratégica para empresas dos mais diversos segmentos.

A mudança acompanha a transformação demográfica do país. De acordo com o Censo Demográfico 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Estado do Rio de Janeiro possui 3.025.629 pessoas com 60 anos ou mais, o equivalente a 18,84% da população fluminense, tornando-se um dos estados mais envelhecidos do Brasil. Esse cenário tem impulsionado a chamada economia prateada, voltada às necessidades, aos hábitos e ao poder de consumo da população idosa.

Na gastronomia, por exemplo, o público maduro passou a buscar mais do que uma refeição. A Bro Art & Burguer, hamburgueria com unidade física em Olária e atendimento por delivery em Botafogo e no Méier, percebeu um aumento da presença de clientes acima dos 60 anos, que valorizam atendimento, conforto e experiências compartilhadas com a família.

Segundo o empresário Marcus Carnevale, fundador da hamburgueria, esse consumidor é fiel e influencia diretamente o sucesso dos estabelecimentos.

“Hoje eles procuram boa comida, atendimento de qualidade e ambientes acolhedores. A geração 60+ mostra que qualidade e experiência fazem toda a diferença e acaba fidelizando quem oferece esse cuidado”, afirma.

O envelhecimento ativo também ampliou a procura por aprendizado. O Supera, empresa educacional pioneira em estimulação cognitiva no Brasil e presente em diversas cidades do país, observa que muitos alunos acima dos 60 anos procuram cursos para manter o cérebro ativo, acompanhar as transformações digitais e até permanecer no mercado de trabalho.

Para Luiz Moraes, diretor de Relacionamentos Institucionais do método Supera,   empresa educacional pioneira em estimulação cognitiva no Brasil e com um método aprovado pela ciência,  investir em saúde cognitiva tornou-se uma estratégia para preservar a autonomia e qualidade de vida.

“A geração 60+ busca aprender porque quer continuar ativa, tomar decisões com segurança, usar novas tecnologias e manter a independência. O aprendizado passou a fazer parte do projeto de longevidade”, explica.

O envelhecimento da população também vem transformando a formação dos futuros profissionais de saúde. O Foco Medicina, curso preparatório para estudantes de Medicina com unidades na Barra da Tijuca e na Tijuca, acompanha o crescimento do interesse por especialidades ligadas ao envelhecimento saudável e à prevenção.

Segundo Carol Braga, professora de Biologia e CEO da instituição, os estudantes já entendem que irão atuar em uma sociedade cada vez mais longeva.

“O objetivo da Medicina deixou de ser apenas tratar doenças. Hoje, é fundamental preparar profissionais capazes de preservar autonomia, mobilidade e qualidade de vida durante o envelhecimento”, destaca.

Na área da saúde preventiva, a mudança também é evidente. A Clínica Dra. Mariana Comério, no Espírito Santo, tem registrado aumento na procura de pacientes maduros por acompanhamento nutricional e metabólico antes do surgimento de doenças.

Para a médica nutróloga Dra. Mariana Comério, a geração 60+ passou a investir em prevenção para envelhecer com mais disposição e independência.

“Hoje os pacientes querem preservar massa muscular, cognição, equilíbrio e qualidade de vida. Eles entenderam que prevenir é mais eficiente do que tratar doenças quando elas já estão instaladas”, afirma.

A especialista reforça que alimentação equilibrada, atividade física, sono adequado e acompanhamento médico são pilares para manter a autonomia ao longo do envelhecimento.

O crescimento desse público faz com que empresas adaptem produtos, serviços e formas de atendimento para atender consumidores mais exigentes e economicamente ativos. Mais do que vender para idosos, o mercado começa a compreender que essa geração influencia decisões de consumo de toda a família e movimenta setores como turismo, educação, gastronomia, tecnologia, estética e bem-estar.

No Dia dos Avós, a principal mudança talvez seja justamente essa: a longevidade deixou de representar apenas um desafio para a saúde pública e passou a ser uma das maiores oportunidades econômicas do país. Em um estado onde mais de três milhões de pessoas já têm 60 anos ou mais, entender esse consumidor significa compreender o futuro do mercado.

Receba notícias no WhatsApp e e-mail



Díario Regional RJ

ÚLTIMAS nOTÍCIAS