
Dez anos após sediar os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016, o Rio de Janeiro comemora os impactos deixados pelo evento na infraestrutura, na mobilidade, no esporte e na economia. As celebrações começaram nesta quarta-feira (05/08), com a inauguração da exposição “O Amanhã Olímpico: Legado e Futuro”, no Museu do Amanhã, além de duas esculturas das logomarcas dos Jogos instaladas na área externa do espaço.
“A gente está falando aqui de uma memória, um legado que segue vivo na vida dos cariocas. O legado olímpico não é algo que a gente guarda em uma caixa ou em um arquivo. A gente está falando aqui do BRT, do Terminal Gentileza, de quatro ginásios educacionais tecnológicos que foram feitos a partir das Arenas do Futuro. Isso tudo foi fruto de muito planejamento e, acima de tudo, de uma decisão feita pelo Rio de Janeiro e pelo Brasil de fazer do Rio uma cidade preparada para os grandes eventos“, disse o prefeito Eduardo Cavaliere.
Inicialmente, estavam previstos 17 projetos de legado, mas o total chegou a 30 após os Jogos. Entre as principais entregas estão a revitalização da Zona Portuária, os corredores de BRT, o VLT, o Terminal Gentileza, o Centro de Operações e Resiliência (COR), os Ginásios Educacionais Olímpicos (GEOs), o Parque Olímpico da Barra e o Complexo Esportivo de Deodoro.
Segundo estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgado em 2024, os Jogos geraram impacto de R$ 99 bilhões sobre o Valor Bruto da Produção, R$ 51,2 bilhões sobre o PIB, R$ 5,3 bilhões em arrecadação de impostos e R$ 36,2 bilhões na renda das famílias. Também foram criados mais de 465 mil empregos na capital.
A Prefeitura destaca ainda que 70% dos investimentos utilizados na organização dos Jogos vieram da iniciativa privada e que 63% dos recursos públicos destinados ao evento foram aplicados em projetos de legado.
“Essa conquista não foi só da cidade do Rio de Janeiro, essa conquista foi do Brasil. Nós conseguimos mostrar que uma cidade de um país em desenvolvimento foi capaz de ser a sede de todas as modalidades, com uma arquitetura nômade e a eficiência de recursos públicos. E temos um grande desafio pela frente. Se hoje a gente tá aqui para celebrar os 10 anos desse legado olímpico, a gente também está aqui para renovar o nosso compromisso de seguir defendendo o esporte brasileiro“, reforçou Cavaliere.
Ao longo da última década, parte desse legado foi ampliada. O COR ganhou nova estrutura, a Região Portuária recebeu novos empreendimentos habitacionais e o Porto Maravalley consolidou-se como polo de inovação. Na educação, o modelo dos Ginásios Educacionais Tecnológicos (GETs), inspirado nos GEOs, deverá chegar a 350 unidades até o fim deste ano.
Na mobilidade, o município destaca a recuperação do sistema BRT, a renovação da frota de ônibus e a implantação do Sistema RIO. Já na área ambiental, a política de grandes parques resultou na inauguração dos parques Realengo, Pavuna, Rita Lee, Oeste e Piedade desde 2024.
O turismo também apresentou crescimento. Em 2025, a cidade recebeu 12,5 milhões de visitantes, dos quais 2,1 milhões eram estrangeiros. O Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão) passou da décima para a terceira posição entre os aeroportos mais movimentados do país, e a expectativa é encerrar este ano com 19 milhões de passageiros.
No esporte, arenas construídas para os Jogos seguem em funcionamento com competições e atividades gratuitas. O Velódromo oferece aulas para cerca de 4,3 mil pessoas por mês e abriga o Museu Olímpico, inaugurado em 2025. A Arena Carioca 3 foi transformada no Ginásio Educacional Olímpico Isabel Salgado, enquanto a Arena do Futuro deu origem a quatro escolas públicas construídas com o conceito de arquitetura nômade.
Outras estruturas também ganharam novos usos. O Estádio Aquático Olímpico teve sua piscina instalada no Parque Oeste, atendendo cerca de duas mil pessoas por mês. Parte da estrutura foi destinada ao Bangu Atlético Clube. Já o Terminal Gentileza, construído com materiais reaproveitados do Centro Internacional de Transmissão (IBC), integra BRT, VLT e ônibus municipais e já recebeu mais de 22,5 milhões de passageiros.
O Parque Rita Lee, implantado na antiga Via Olímpica, e o Complexo Esportivo de Deodoro também fazem parte do legado, oferecendo áreas de lazer, esportes e atividades gratuitas para a população.
A exposição “O Amanhã Olímpico: Legado e Futuro” reúne itens históricos, como medalhas, a Tocha Olímpica, uniformes e as mascotes dos Jogos, além de instalações interativas. A visitação é gratuita até o dia 5 de outubro, de quinta-feira a terça-feira (às quartas-feiras o museu está fechado), das 10h às 18h (última entrada às 17h).
Durante a cerimônia, também foram inauguradas duas esculturas das marcas Rio 2016, criadas pelo designer Fred Gelli.
“Uma Olimpíada não termina na cerimônia de encerramento. Ela permanece na forma como a cidade se reconhece e é reconhecida pelo mundo. Quando criamos as marcas dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016, queríamos traduzir a energia, a paisagem e o jeito de receber do carioca. Dez anos depois, vê-las incorporadas ao espaço público e ao imaginário da cidade reforça a importância das identidades visuais como marcos de grandes transformações. Mais do que representar um evento, essas marcas sintetizam um momento que continua fazendo parte da memória e da identidade do Rio de Janeiro para sempre” , disse Gelli.













































































































